Movimento inspira a criatividade e a atualização dos princípios que regem nossas ações cotidianas. Com este ponto de vista situo a Psicoterapia Gestáltica no trabalho do Instituto NUFEN.

A concepção de saúde que norteia o projeto dialoga com uma abordagem interdisciplinar e da complexidade do fenômeno, visando que os participantes do eventos clínicos e de educação em saúde compreendam os significados dos sintomas vivenciados, trazendo a luz os autossuportes e os suportes externos.

Quanto à saúde mental nossos projetos se inspiram, também, nos princípios que norteiam os programas desenvolvidos na atenção primária, baseados nas diretrizes do Sistema Único de Saúde, e da Política Nacional de Saúde Mental; ou seja, de acordo com Emmanuel-Tauro & Foscaches (2018) são três as principais ações institucionais na esfera: visita domiciliar ao doente mental e família; vínculo, acolhimento e encaminhamento; oficinas terapêuticas. Todas visam o cumprimento da política da integralização.

Estas proposições contam da formação do Psicólogo Clínico na UFPA para superação dos impactos de projetos pedagógicos ausentes, e de currículo composto por abordagem do psiquismo em partes, o que refletira na intervenção clínica, e na concepção de saúde, organizada na logica dedutiva e causal, que se reflete na definição e aplicação dos tratamentos  articulados para a “cura” do sintoma.

Ao mesmo tempo e em escala reduzida, na formação do Psicólogo Clínico, presente na aplicação do projeto pedagógico está a logica configuracional, qualitativa que focaliza a complexidade do fenômeno saúde, constituindo a atuação interdisciplinar, em que a equipe se preocupa em superar as fronteiras do objeto, do método e da intervenção dirigida as partes do corpo “doentes”, abordando a integralidade do humano em um ponto de vista que focaliza o vivido.

Nossa clinica em movimento é interdisciplinar e tem como fundamentos epistemológicos da concepção de saúde situa-la como: a) vivencia de um processo complexo de vir-a-ser; b) movimento dialógico entre homeostase e desequilíbrio; c) reconhecimento dos efeitos no corpo e na produção da ansiedade das diretrizes emanadas da globalização, e do capitalismo tecnológico e financeiro; d)  reconhecimento do outro como alteridade; e) inclusão politica e social do direito a participar da vida lúdica, e democrática do lugar em que se vive. 

Além destes princípios, o trabalho interdisciplinar alinha, indissociavelmente, teoria e práticas em dinâmicas incessantes de diálogo que resultam em uma concepção do humano como aquele que não pode ser reduzido a partes.